FONTE: Segundo levantamento realizado pela Sudene, o custo-benefício chegou a R$ 32 de retorno econômico para cada R$ 1 investido

Diario de Pernambuco

Municípios do Nordeste com empreendimentos financiados com recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), administrado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), registraram aumento médio de 24% no PIB per capita. Os dados foram divulgados em levantamento realizado pela Sudene, em parceria com a Universidade Federal do Ceará, divulgado nesta terça-feira (24).

A pesquisa inclui três estudos de caso: financiamentos a parques eólicos, e em Pernambuco, o polo automotivo de Goiana e a uma parceria público-privada no setor de saneamento na Região Metropolitana do Recife.

Um dos relatórios do levantamento traz dados sobre o impacto do financiamento do FDNE sobre indicadores econômicos em Goiana após a instalação do polo automotivo. O estudo aponta o FDNE como um dos destaques para a instalação do polo automotivo, sendo responsável pelo aporte de aproximadamente 1,9 bilhão de reais entre 2014 e 2022. O montante foi utilizado como fonte de recursos para a construção do complexo industrial e a aquisição de equipamentos.

O estudo mostra dados do IBGE (2010), quando a economia de Goiana era impulsionada pelo setor de serviços, que representava 49,4% do PIB local, seguido pela indústria (30%), antes da instalação do polo automotivo. Nesse período, o PIB per capita de Goiana era de 13,3 mil reais, o décimo maior do estado. Em 2021, considerando os dados do polo, o PIB per capita da cidade alcançou 279 mil reais, registrando crescimento superior a 2.000%. Com isso, o setor industrial passou a representar 48,1% do PIB local, inserindo Goiana entre as 100 cidades com maior produção industrial do país.

O levantamento também cita a PPP entre a BRK Ambiental e a Compesa, que ocorreu em 2013, com o apoio do FDNE, para recuperar, operar e implementar novos sistemas de esgotamento sanitário na RMR ao longo de 35 anos. De acordo com o relatório sobre os impactos, o PIB per capita dos municípios passou de R$ 42,7 mil reais para R$ 82,5 mil, após a intervenção.

Nordeste

De acordo com a Sudene, o levantamento mostra que os empreendimentos apoiados elevaram o emprego, a renda e o PIB dos municípios onde estão instalados, além de gerar retorno econômico relevante para a região. O estudo considerou as operações do FDNE entre 2008, início de sua execução, e 2023, tendo como base levantamento documental, análise qualitativa, avaliação orçamentária e estudos de eficiência e impacto.

De acordo com a Sudene, o benefício estimado do FDNE sobre o PIB per capita variou entre R$ 40,2 bilhões e R$ 145,8 bilhões no período de 2008 a 2021. O custo estimado ficou entre R$ 2,8 bilhões e R$ 7 bilhões. Segundo a metodologia adotada, o impacto sobre o PIB per capita chegou a R$ 32 de retorno econômico para cada R$ 1 investido.

“O material nos ajuda a aprimorar a gestão do FDNE de maneira significativa. É importante verificar que, na prática, o fundo consegue ser tanto uma fonte de crédito atrativa para o setor produtivo como um instrumento importante para o desenvolvimento regional”, comentou o superintendente Francisco Alexandre.

No período analisado, foram realizadas 81 operações, com desembolsos que somaram R$ 13,4 bilhões. Os empreendimentos estão distribuídos em 153 municípios da área de atuação da Sudene. Mais da metade dos investimentos (53,6%) e 72% dos recursos contratados foram destinados a municípios do Semiárido. Mais de 97% das aplicações ocorreram em localidades classificadas como de baixa e média renda.

O trabalho mostra que os municípios com pelo menos uma empresa financiada pelo FDNE apresentaram aumento médio de 24% no PIB per capita municipal, o equivalente a R$ 2.986. O efeito é cumulativo, inicia-se com a implantação do empreendimento e se estende ao longo dos 13 anos observados. Também foi identificado impacto positivo na remuneração média em 4,6%, além de incremento de 0,19 e 0,21 ponto no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) dos anos iniciais e finais, respectivamente.

“Os resultados demonstram que o FDNE cumpre um papel estruturante na geração de renda e na dinamização do mercado de trabalho nos municípios atendidos. Ao mesmo tempo, os resultados nos ajudam a enxergar onde podemos aprimorar critérios, priorização e monitoramento, tornando o fundo ainda mais eficiente”, destacou o diretor de gestão de Fundos, Incentivos e de Atração de Investimentos da Sudene, Heitor Freire.

Categorias: SINDILIMPE

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